domingo, 14 de novembro de 2010

Uma lição para se colocar em prática.



Obra totalmente de minha autoria. Personagens e contexto criados por mim. Uma dica é: Leia a história escutando The Reason do Hoobastank.


Era sábado. Pouco mais de cinco da manhã. Os primeiros raios solares teciam a beleza celeste e se preparavam para invadir as janelas entreabertas do humilde povoado de Akola, na Índia. A família Hadjaneffi acordava todos os dias antes do pôr-do-sol para contemplar as maravilhas de Deus e agradecer por mais um dia. A Sra. Hadjaneffi orava em agradecimento ao sol; ao azul do céu; a saúde; ao canto dos pássaros; aos mugidos das vacas no pasto e à grandeza divina. Para ela o dia não tinha valor se o ritual não fosse cumprido. Sempre foi uma mulher de fé e confiante nos feitos. Era impressionante a maneira que Haimah, como também era chamada, conseguia vencer na vida apesar das inúmeras pedras que surgiam em seu caminho. Havia perdido o seu amado companheiro para a guerra. Há pouco mais de quatro meses o exército indiano tinha solicitado o recrutamento de ex-soldados e prestadores de serviço das Forças Armadas da Índia. Kolbin Hadjaneffi Alibaberi morreu aos 41 anos, após a vitória em um confronto de prestígio, que tinha por finalidade a independência das terras em que habitava com sua família e os entes guerreiros. Haimah Hadjaneffi sempre temeu a coragem de seu falecido marido, mas o apoiava em todas as decisões, pois confiava nele. Clarkson Hadjaneffi, 9 anos, e, Jeremy Hadjaneffi, 13 anos, eram filhos pródigos, que apesar da pouca idade compreendiam o peso da responsabilidade, que a mãe carregava nas mãos em decorrência da morte do pai. Estavam sempre dispostos a ajudar, mas como outras crianças também pisavam na bola.

Após a reflexão, a Sra. Hadjaneffi segurou as mãos dos pequenos e os acolheu com um abraço apertado. As lágrimas bailavam no olhar daquela mulher. Era perceptível a sua emoção. Saudade ao certo.

- Clarkson: Mamãe... Está chorando?
- Jeremy: A senhora está bem?

Questionavam as crianças preocupadas. A mãe logo tratou de reverter à situação e abriu um sorriso. Mas não foi qualquer sorriso. Eu diria que um sorriso incomparável. Pois foi o mais simples gesto como resposta ás perguntas feitas.

- Haimah:
As lágrimas quando transformadas em sorriso refletem as boas lembranças, que são reservadas em nosso coração. Eu não consigo não me emocionar ao pensar que a vida me tirou o corpo de alguém tão importante para mim como o pai de vocês, mas que me permitiu entender que o amor presente na alma dele está unificado á minha independente da distância ou das impossibilidades. E também porque eu tenho a vocês. Meus presentes!

As crianças tinham orgulho da figura materna que estava á frente. O respeito era à base de tudo naquela grande família. Grande pelas particularidades que os tornavam especiais.

Enquanto a mãe se dirigia à cozinha, Clarkson e Jeremy brincavam na sala. Após o café da manhã as crianças foram para a escola e Haimah se preparou para a tecelagem. Conhecida pela vizinhança como ‘’mãos de fada’’, brincava com a agulha transformando o tecido em peças mágicas entre uma costura e outra.

Naquele dia, a escola havia preparado uma apresentação especial de fim de ano. As crianças tinham ido pela manhã para a finalização dos ensaios. Esperariam a mãe para o teatro no horário combinado. A manhã foi produtiva. Os alunos conseguiram assimilar as tarefas e os professores administraram com vigor toda a ação.

O relógio marcava 14 h e o grande momento aproximava. Jeremy tinha combinado com Haimah para ás 14h30min. Ainda estava em tempo, mas a garota não conseguia manter a calma. Ela estava nervosa e não sabia controlar toda aquela ansiedade. Há poucos minutos estaria em cima do palco apresentando uma das peças de maior importância para o Eldorado’s College. Sabia que tinha se saído bem em todos os ensaios, inclusive elogiada pelo Diretor. Mas estava nervosa e a única coisa que queria naquele momento era a presença da sua mãe. Desejou que quando finalizasse o pensamento ela adentrasse o portão ao seu encontro.

O grande momento finalmente chega. Jeremy estava arrasada. Não conseguia levantar-se do batente que havia sentado à espera da Sra. Hadjaneffi.

- Clarkson: Hei Emy... A peça já vai começar! Vamos lá.
- Jeremy: A mamãe não veio Clark. Eu não quero me apresentar. Eu não vou me apresentar. Não estou preparada. Deixe-me ficar aqui.

O pequeno garoto sentiu as dores da sua irmã, mas não sabia o que dizer. Queria fazer algo para ajudá-la. Então se lembrou do que seu pai disse em uma noite escura, de tempestades.

- Filho... Não tenha medo. Eu estou aqui contigo e pra sempre vou estar. Ouves o barulho lá fora? São sinais de que a natureza também tem voz e quer nos falar. Vês a luz que resplandece pela janela? É apenas pra mostrar que ela existe e não só a sua voz. Sentes as janelas se batendo em razão do vento? Em outras línguas significa: Fiques tranqüilo. A natureza está contigo e grita à sua proteção.

Não disse exatamente com essas palavras, mas tratou de deixar claro o pensamento do seu eterno pai, que o impede do medo avançar. A garotinha com lágrimas nos olhos abraçou o irmão e seguiu com ele para o salão onde todos estavam reunidos para conferir o evento.

A professora ao ver Jeremy nos camarins abriu um sorriso inconfundível.

- Querida... Que bom que você não desistiu. Sua mãe vai chegar um pouco atrasada, mas desejou-lhe sorte. Você acredita né?
- Jeremy: Sim, Professora. Eu acredito!

A menina em um gesto meigo abraçou a professora e a agradeceu pelo recado.
As cortinas se fecharam, as luzes diminuíram, o público aguardava o inicio da peça. A professora repassava as últimas recomendações e desejava sorte pra todos os figurantes. As primeiras apresentações foram feitas. As saudações soavam pelo espaço! Isso significava que todo mundo se sentia bem com o que se passava ali. Faltava 2 minutos para a sua entrada no palco... Jeremy então afastou as cortinas para ver se conseguia encontrar a sua mãe em meio à multidão da platéia. Por um momento, fechou os olhos e uma lágrima silenciosa escorreu pelo seu rosto. Logo lembrou do que havia escutado minutos antes de Clarkson e das belas palavras ditas pela sua mãe no inicio da manhã. Tomada pela força do pensamento, Jeremy entra no palco e começa a apresentar-se. Tudo corria bem, quando um pequeno defeito na instalação elétrica queimou o microfone de uma das crianças e esse detalhe fez com que a garota se atrapalhasse nas falas. A platéia agora apreensiva, olhava para a menina visivelmente desesperada. Foi quando Jeremy ouviu um barulho distante e olhou para frente; enxergou a sua mãe que passava a mão sobre o rosto com o mesmo sorriso do inicio da manhã. Jeremy então lembrou que quando precisou ir ao dentista pela primeira vez sentiu tanto medo, que sua mãe tocou seu rosto delicadamente e sorriu ao dizer que tudo daria certo. Como o despertar do sol naquela manhã, Jeremy despertou em seu interior.

- Jeremy: Temos mania de priorizar a dificuldade e de jogar para segundo plano a solução. Se há negatividade, coisas negativas virão para nós. Se a positividade assumir a nossa vida não é preciso sentir medo de absolutamente nada. Eu aprendi isso em exemplos que a própria vida tratou de me colocar. Mas eu aprendi a enxergá-los com o punho forte e sempre presente dos meus pais. Aqueles que eu tenho orgulho em dizer que são meus pais. Posso conquistar o que eu quiser. Se eu for até o fim eu vou conseguir. Tudo é fruto do meu merecimento. Da minha batalha. Do que eu aprendi e do que fui ontem e sou hoje para o amanhã.

E os aplausos duraram cerca de três minutos seguidos. Aplaudiram-na de pé

3 comentários:

  1. Belo conto mocinha... Vc será a próxima escritora da turma... Aposto em vc... Amo seu estilo...

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  2. Tão longe e tão perto! Estou deliciado com seu texto.

    Ficarei por aqui para não perder mais nem uma maravilha aqui postada.

    Beijo.

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  3. olá, adorei seu texto, tanto que publiquei em meu blog(com os devidos créditos e indicando o link p/ seu blog), você tem um estilo muito legal, espero que escreva outros ;), se ouver alguma objeção quanto eu ter publicado seu conto, só falr que retiro ok ;)? segue o link para meu blog:
    http://fabianogoes.wordpress.com/2010/11/18/42/

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